Começar o tratamento com Mounjaro costuma gerar muitas dúvidas. Uma das mais frequentes é: “Agora que quase não sinto fome, o que devo comer?”
Essa pergunta faz todo sentido. O medicamento reduz o apetite, aumenta a saciedade e ajuda no emagrecimento, mas também pode fazer com que a ingestão de nutrientes importantes fique abaixo do ideal.
Por isso, a alimentação durante o uso do Mounjaro não deve focar apenas em comer menos. O objetivo é comer melhor, fornecendo ao organismo proteínas, fibras, vitaminas e minerais suficientes para emagrecer preservando a saúde.
Neste artigo, você vai entender quais alimentos devem ser priorizados, quais hábitos ajudam a reduzir os efeitos colaterais e como montar refeições equilibradas durante o tratamento.
Por que a alimentação continua sendo importante?
É comum acreditar que, como o Mounjaro reduz bastante a fome, basta comer o que der vontade.
Na prática, isso pode trazer consequências como:
- perda de massa muscular;
- deficiência de vitaminas e minerais;
- queda de cabelo;
- fadiga;
- pior recuperação após exercícios;
- dificuldade para manter o peso quando o tratamento termina.
O medicamento é uma ferramenta poderosa, mas ele funciona melhor quando a alimentação acompanha esse processo.
A proteína deve ser sua prioridade
Se eu tivesse que escolher apenas um nutriente para destacar durante o uso do Mounjaro, seria a proteína.
Ela ajuda a:
- preservar massa muscular;
- aumentar a saciedade;
- favorecer a recuperação muscular;
- reduzir a perda de força;
- contribuir para um metabolismo mais ativo.
Boas fontes de proteína incluem:
- ovos;
- frango;
- peixes;
- carne bovina magra;
- iogurte natural ou grego rico em proteínas;
- queijos magros;
- tofu;
- tempeh;
- leguminosas, como feijão, lentilha e grão-de-bico.
Em muitos casos, a suplementação com whey protein pode ser indicada quando o paciente não consegue atingir suas necessidades apenas pela alimentação.
Não tenha medo das fibras
Outro erro comum é reduzir muito o consumo de frutas, verduras e legumes.
As fibras ajudam a:
- melhorar o funcionamento intestinal;
- alimentar a microbiota intestinal;
- aumentar a saciedade;
- controlar a glicemia;
- reduzir episódios de constipação, um efeito colateral relativamente comum dos agonistas de GLP-1.
Boas opções são:
- aveia;
- chia;
- linhaça;
- frutas com casca;
- vegetais variados;
- feijão;
- lentilha.
O aumento das fibras deve ser gradual e sempre acompanhado por uma boa ingestão de água.
A hidratação merece atenção
Muitas pessoas também percebem redução da sede durante o tratamento.
Beber pouca água pode piorar sintomas como:
- prisão de ventre;
- dor de cabeça;
- fadiga;
- sensação de indisposição.
Uma dica prática é manter uma garrafa sempre por perto e estabelecer pequenas metas ao longo do dia, em vez de tentar beber grandes volumes de uma só vez.
Como montar um prato equilibrado?
Uma refeição simples pode seguir esta estrutura:
- metade do prato com legumes e verduras;
- um quarto com proteína de boa qualidade;
- um quarto com carboidratos ricos em fibras, como arroz integral, batata, mandioca ou quinoa;
- uma pequena porção de gorduras saudáveis, como azeite de oliva, abacate ou castanhas.
Essa combinação favorece saciedade, equilíbrio nutricional e energia ao longo do dia.
Alimentos que podem piorar os sintomas
Alguns alimentos costumam ser menos tolerados, especialmente nas primeiras semanas de tratamento.
Entre eles estão:
- frituras;
- refeições muito gordurosas;
- grandes volumes de comida;
- bebidas alcoólicas em excesso;
- refrigerantes;
- alimentos ultraprocessados.
Isso não significa que eles estejam proibidos para sempre, mas vale observar como o seu organismo responde.
Preciso seguir uma dieta restritiva?
Não.
O objetivo do acompanhamento nutricional é criar uma alimentação que faça sentido para sua rotina e possa ser mantida mesmo após o término do tratamento.
Dietas extremamente restritivas podem aumentar o risco de compulsão alimentar e dificultar a manutenção do peso no futuro.
Mais importante do que eliminar alimentos é aprender a fazer escolhas equilibradas na maior parte do tempo.
Perguntas frequentes
Posso comer carboidratos usando Mounjaro?
Sim. Carboidratos fazem parte de uma alimentação equilibrada. A preferência deve ser por fontes ricas em fibras e consumidas em quantidades adequadas às necessidades individuais.
Preciso cortar doces?
Não necessariamente. O ideal é aprender a incluir alimentos que você gosta de forma consciente, evitando a sensação de restrição extrema.
Quem usa Mounjaro deve tomar whey protein?
Nem sempre. O whey pode ser uma estratégia prática quando a ingestão de proteínas pela alimentação é insuficiente, mas sua indicação deve ser individualizada.
Posso fazer jejum usando Mounjaro?
Nem sempre é a melhor estratégia. Como o medicamento já reduz bastante o apetite, jejuns prolongados podem dificultar ainda mais o consumo adequado de proteínas e outros nutrientes.
Quando procurar uma nutricionista?
Embora existam recomendações gerais, cada pessoa responde de forma diferente ao tratamento.
Um plano alimentar individualizado considera fatores como:
- composição corporal;
- rotina;
- prática de atividade física;
- exames laboratoriais;
- sintomas gastrointestinais;
- preferências alimentares;
- objetivos pessoais.
Esse acompanhamento ajuda a tornar o emagrecimento mais seguro, confortável e sustentável.
Conclusão
O sucesso do tratamento com Mounjaro não depende apenas da caneta. A forma como você se alimenta influencia diretamente sua disposição, preservação da massa muscular, qualidade de vida e manutenção dos resultados.
Priorizar proteínas, consumir fibras, manter uma boa hidratação e buscar orientação profissional são passos importantes para transformar o emagrecimento em um processo saudável e duradouro.
Antônia Bianchi é nutricionista (CRN-10 7963), especialista em comportamento alimentar, saúde da mulher e emagrecimento. Atua com atendimento presencial em Itajaí e consultas online para todo o Brasil, com foco em pacientes que utilizam medicamentos como Mounjaro, Ozempic e Wegovy.


