Se existe um nutriente que merece atenção especial durante o uso do Mounjaro e de outros medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, esse nutriente é a proteína.
A redução do apetite faz com que muitas pessoas passem a comer muito menos do que antes. Embora isso favoreça o emagrecimento, também aumenta o risco de consumir quantidades insuficientes de proteínas, especialmente quando as refeições ficam pequenas ou são substituídas por alimentos de baixo valor nutricional.
Esse é um dos motivos pelos quais o acompanhamento nutricional é tão importante durante o tratamento.
Neste artigo, você vai entender qual é o papel da proteína, quanto consumir, quais são as melhores fontes e como organizar sua alimentação para emagrecer preservando a massa muscular.
Por que a proteína é tão importante durante o uso do Mounjaro?
Quando emagrecemos, o corpo perde gordura, mas também pode perder massa muscular.
A proteína fornece os aminoácidos necessários para manter e reparar os tecidos musculares. Quando sua ingestão é insuficiente, o organismo encontra mais dificuldade para preservar essa massa magra.
Além disso, ela oferece outros benefícios importantes durante o tratamento:
- promove maior saciedade;
- ajuda na recuperação após exercícios;
- participa da produção de hormônios e enzimas;
- contribui para a manutenção da força;
- auxilia na saúde da pele, cabelos e unhas.
Em outras palavras, a proteína não serve apenas para quem deseja ganhar músculos. Ela é fundamental para qualquer pessoa que busca emagrecer com saúde.
Existe uma quantidade ideal?
Essa é uma das perguntas mais frequentes no consultório.
A resposta é: depende.
A necessidade de proteína varia de acordo com diversos fatores, como:
- peso corporal;
- idade;
- percentual de gordura;
- quantidade de massa muscular;
- prática de atividade física;
- velocidade do emagrecimento;
- presença de doenças ou condições específicas.
Por isso, não existe um único número que sirva para todas as pessoas.
No entanto, de forma geral, indivíduos em processo de emagrecimento costumam se beneficiar de uma ingestão proteica adequada e distribuída ao longo do dia, especialmente quando utilizam medicamentos que reduzem o apetite.
Comer toda a proteína no jantar resolve?
Não.
Um erro comum é passar o dia consumindo apenas café e frutas e tentar compensar toda a proteína em uma única refeição.
O organismo aproveita melhor esse nutriente quando ele é distribuído entre as principais refeições do dia.
Por isso, é interessante que café da manhã, almoço e jantar contenham boas fontes proteicas.
Dependendo da rotina e das necessidades individuais, os lanches também podem contribuir.
Quais alimentos são boas fontes de proteína?
Nem toda proteína precisa vir de suplementos.
Entre as principais fontes estão:
Proteínas de origem animal
- ovos;
- frango;
- peixe;
- carne bovina magra;
- peru;
- leite;
- iogurte natural;
- iogurte grego rico em proteínas;
- queijo cottage;
- ricota.
Proteínas de origem vegetal
- feijão;
- lentilha;
- grão-de-bico;
- ervilha;
- soja e derivados;
- tofu;
- tempeh;
- quinoa.
Quanto maior a variedade alimentar, maior também a oferta de diferentes nutrientes importantes para a saúde.
Whey protein é obrigatório?
Não.
O whey protein é apenas uma forma prática de complementar a ingestão proteica.
Ele pode ser útil para pessoas que:
- sentem pouca fome;
- têm dificuldade para mastigar grandes volumes de alimentos;
- possuem rotina corrida;
- não conseguem atingir suas necessidades apenas com a alimentação.
Mas é importante lembrar que suplementos não substituem uma alimentação equilibrada.
Sempre que possível, a base deve continuar sendo comida de verdade.
Como saber se estou consumindo pouca proteína?
Alguns sinais podem levantar essa suspeita:
- dificuldade para atingir as metas alimentares;
- perda rápida de força;
- recuperação lenta após exercícios;
- maior sensação de fraqueza;
- perda importante de massa muscular avaliada na composição corporal.
Esses sinais não confirmam, por si só, uma ingestão insuficiente, mas indicam que vale a pena buscar uma avaliação nutricional.
O que a ciência mostra?
Estudos demonstram que uma ingestão proteica adequada durante o emagrecimento ajuda a preservar a massa magra e favorece uma melhor composição corporal.
Esse cuidado ganha ainda mais importância durante o uso de medicamentos como o Mounjaro, que reduzem significativamente o apetite e podem diminuir o consumo espontâneo de alimentos.
A combinação entre ingestão adequada de proteínas, exercícios de força e acompanhamento nutricional é considerada uma das estratégias mais eficazes para minimizar a perda muscular durante o emagrecimento.
Na prática da Nutri Antônia
É muito comum receber pacientes que dizem:
“Nutri, eu quase não sinto fome. Almoço duas colheradas e já estou satisfeita.”
Nessas situações, o desafio deixa de ser apenas reduzir calorias. O foco passa a ser escolher alimentos que entreguem mais nutrientes em menos volume.
Às vezes, uma pequena mudança — como começar o dia com um café da manhã rico em proteínas ou incluir um lanche proteico à tarde — já melhora bastante a ingestão diária sem aumentar o desconforto.
Cada plano alimentar é ajustado conforme a rotina, a composição corporal e os objetivos da paciente.
Perguntas frequentes
Quem usa Mounjaro precisa tomar whey?
Não. O whey é uma ferramenta que pode facilitar o consumo de proteínas, mas não é obrigatório.
Posso consumir proteína demais?
Assim como qualquer nutriente, o excesso pode não ser necessário. A quantidade ideal deve ser individualizada.
Comer proteína ajuda a emagrecer?
A proteína aumenta a saciedade e ajuda na preservação da massa muscular, fatores que contribuem para um processo de emagrecimento mais saudável.
Posso consumir proteína apenas no almoço?
O ideal é distribuí-la ao longo do dia para favorecer um melhor aproveitamento pelo organismo.
Conclusão
Durante o uso do Mounjaro, a proteína deixa de ser apenas um detalhe da alimentação e passa a ocupar um papel central no sucesso do tratamento.
Ela ajuda a preservar a massa muscular, favorece a saciedade, contribui para a recuperação do organismo e apoia um emagrecimento mais saudável.
Se você utiliza medicamentos da classe dos GLP-1, vale a pena conversar com uma nutricionista para descobrir qual é a quantidade mais adequada para a sua realidade e como atingir essa meta de forma prática.
Antônia Bianchi é nutricionista (CRN-10 7963), especialista em comportamento alimentar, saúde da mulher e emagrecimento. Atua com atendimento presencial em Itajaí e consultas online para todo o Brasil, com foco em pacientes que utilizam medicamentos como Mounjaro, Ozempic e Wegovy.



